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Como será?
Gérson Marques

Crédito: Arquivo/Maurício Maron

Como queremos nossa região em dois mil e trinta, ou em trinta e quatro, quando Ilhéus completará cinco séculos de vida? Logo ali, daqui a dezessete anos...

Esta são boas perguntas para fazermos, no intuito de realizar um planejamento estratégico para a Região Sul da Bahia, em particular no entorno de Ilhéus e Itabuna e cidades vizinhas.

Respondendo primeiro onde queremos chegar, o que desejamos ser, para onde vamos, entendendo do geral ao específico, afunilando nos quantitativos, do tipo quantas e quais escolas, hospitais e serviços devem ser priorizados, em que local implantar,  para onde é como vamos expandir nossas cidades, como crescer e preservar ao mesmo tempo, como garantir a água, captar e tratar os esgotos... Sempre, tendo como objetivo principal a preservação e melhoria da qualidade de vida, a geração de emprego e riquezas através da sustentabilidade social, econômica e ambiental.

Os orientais, em particular os japoneses têm uma técnica excelente de planejamento físico de suas cidades, depois de elaborado os planos diretores e desenhado o plano diretor físico, eles fazem uma maquete da futura cidade ou região, está tudo ali, as futuras avenidas, os futuros parques, as futuras escolas e hospitais, aeroporto, cemitérios, etc... Colocam essa maquete em um espaço público, ali ela será um documento aberto, consolidado, uma visão do futuro, um instrumento de consultas, aos poucos os cidadãos vão se apoderando daquela informação e podem organizar suas vidas, escolhendo o bairro onde morar, os meios de transporte que terão, as áreas de lazer próximo a suas casas, a oferta de escolas para os filhos etc, Já está tudo lá, um documento público como qualquer documento, com a vantagem de que não está em um armário da repartição pública,  na gaveta do secretário de planejamento, esta aberto, exposto e vivo.

Este é um bom conceito que deveríamos adotar, imaginem como seria importante ter projetado nossas cidades, sua áreas de expansão, suas avenidas, nossas futuras estradas, bairros, equipamentos públicos, e tudo visualizado em uma maquete, em escala, capaz de informar facilmente ao público como será sua cidade.

Isso permitiría nos apoderar de uma visão física dos processo de conurbação urbana entre Ilhéus e Itabuna, evitando potenciais problemas, a exemplo do impacto no entorno do futuro aeroporto, porto e ferrovia, intervenções de logística que sempre trazem inúmeros problemas em seus entornos.

Entendo que o urbanismo, o desenho das cidades, poderá ser o principal instrumento de planejamento estratégico de nosso desenvolvimento urbano, agora mesmo esta para ser iniciada a duplicação da br 415, no trecho entre Ilhéus e Itabuna, acertadamente na margem direita do rio Cachoeira, mas como será a ocupação futura dessa área nova de expansão? Como preservar as margens e matas ciliares fundamental para saúde do rio e da população?

Na mesma Br 415, no trecho atual, temos uma concentração de equipamentos ligados a educação e pesquisa, além dos já implantados Uesc, Ceplac e If baiano, teremos a nova escola do Senai, e o novo hospital regional, prontos para inauguração, em futuro breve o Parque Tecnológico que será implantado em área da atual Ceplac. Se projeta para os próximos anos que somente nesta estrada, teremos mil e duzentos doutores trabalhando, uma das maiores concentrações de saberes do Brasil.

Isso implica em um vertiginoso processo de crescimento da população regional, em particular de Itabuna e Ilhéus e entre as duas cidades, sem um plano adequado de expansão física, teremos uma área problema, sem esgoto, sem coleta de lixo adequado, sem oferta dimensionada de energia e Internet, sem transporte coletivo e sem infraestrutura urbana.

Está na hora de retomar o debate da criação da Região Metropolitana, de pensar um modelo de desenvolvimento e ocupação urbana, um desenho inteligente das áreas de expansão, conectados com conceitos modernos de urbanismo, arquitetura, mobilidade e qualidade ambiental.

As decisões de agora, ou a ausência delas terão impactos fundamentais no futuro de nossas vidas e de nossas cidades, as condições para isso estão colocadas, existe na região inteligência e capacidade para fazer um plano qualificado, capaz de potencializar as muitas possibilidades, e fazer a região dá certo.

O marco simbólico dos quinhentos anos de Ilhéus, a cidade mãe da região, pode ser o fator motivador e impulsionador deste novo tempo, as universidades e as comunidades, devem tomar para si essa iniciativa exercitando a criação coletiva e um olhar holístico sobre o desenvolvimento, cabendo aos governos o papel de  gerenciador e catalizador do processo, dando legalidade e operacionalidade aos rumos traçados.

O autor Gerson Marques é produtor de cacau e empresário do turismo rural

 


Gérson Marques

Crédito: Arquivo/Maurício Maron

 
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