Especial
Experiências criativas traçam ações para calendário turístico e econômico
Lucas Kruschewsky

Crédito: JBO/Maurício Maron

Três histórias que se completam. Passado, presente e futuro alinhavados por uma iniciativa do Sebrae de formar uma grande rede de negócios que envolva a história, a cultura e, claro, bons negócios para a economia de Ilhéus. O produtor de Cacau Lucas Kruschewsky, pretende colocar definitivamente a localidade de Rio do Braço no calendário junino da região. O publicitário Marco Lessa resolveu lançar a mais nova edição do Festival Internacional do Chocolate. O empresário Durval Libânio decidiu compartilhar a experiência de ter idealizado e montado um curso de pós-graduação em Gestão de Negócios em Cacau e Chocolate que está sendo oferecido pela Faculdade de Ilhéus em convênio com o Instituto Cabruca, dirigido por ele.

O Sebrae reuniu os três em Ilhéus, para falar sobre as iniciativas e as projeções de bons negócios. A entidade aproveitou também a oportunidade para reunir em um mesmo local, experiências vitoriosas da Economia Criativa nas vertentes do artesanato, chocolates finos e derivados de cacau. Quatro núcleos montaram estandes e expuseram seus produtos. “Queremos apresentar um ao outro, integrá-los, criar uma rede de negócios que permita o fortalecimento das ideias individuais, mas em um universo coletivo”, explica Fabíola Paes Leme, gestora do projeto Economia Criativa e Chocolates.

O São João, previsto para acontecer na localidade de Rio do Braço, com festejos a partir da segunda semana de junho, resgata um dos cenários históricos mais importantes da cidade. A localidade viveu tempos de apogeu e de crise.

Passado - Em 1911, com a chegada do trem e a construção da primeira estação ferroviária do sul da Bahia, Rio do Braço, cenário de terras férteis favoráveis ao cacau, intensificou a sua economia, somente interrompida em 1916 com o anúncio da Primeira Guerra Mundial. Vieram os tempos difíceis com o preço do cacau desabando no mercado internacional.

Conta a história que o produtor rural Gabino Kruschewsky resolveu apostar na lavoura ainda durante a crise. Comprava cacau na mão de outros produtores da região e estocava em telhados, assoalhos, quartos. No fim da guerra havia arrecadado mais de 100 mil arrobas de cacau, quantidade suficiente para torná-lo um dos homens mais prósperos e influentes da região. Staus mantido por, pelo menos, duas outras gerações do coronel Gabino.

Um novo ciclo de crise só veio retornar no final da década de 80, com a propriedade “Estrela da Manhã” em mãos da terceira geração da família Kruschewsky. Rio do Braço sentiu a crise provocada pela “vassoura de bruxa”, uma doença que dizimou plantações inteiras.

A fazenda, a estrada de ferro, o cartório e tantos outros prédios históricos, que antes revelavam a prosperidade do lugar, viraram ruínas. “Quando cheguei e ví destruído aquele cenário próspero da minha infância registrado na memória, entrei na velha estação e prometi: não vou desistir daqui”, revela Lucas. “Disse a mim mesmo: vou fazer deste lugar, um ambiente de sabores e de alma”. Largou a taxidermia, sua profissão de origem, e passou a morar na localidade.

Aos poucos, Lucas está conseguindo. Recuperou a estação férrea e transformou o espaço em um restaurante de comidas típicas. Na fazenda oferece passeios, banho de rio, pesca do Tucunaré. A alma a que se referiu na promessa pode ser sentida na fazenda que, aos poucos, está voltando a produzir cacau. “Estamos renascendo e cheios de ideias”.

Presente - Marco Lessa, apresenta uma pesquisa que aponta o Festival Internacional do Cacau como a marca mais difundida na Bahia, depois do Carnaval. De fato, o evento mostra desde 2009, quando foi realizada a sua primeira edição, um crescimento valoroso. Pulou de apenas três para 25 marcas participantes. De 13 para 65 estandes. De seis mil para 30 mil visitantes.

Passou a atrair a atenção de grandes marcas, especialistas do mundo inteiro e, somente na última edição, realizou 10 milhões de reais em negócio. Nos últimos dois anos, contabiliza Lessa, o evento proporcionou 50 milhões de reais em mídia espontânea na imprensa nacional e internacional. O evento que começou como um espaço de exposição, ganhou ingredientes como debates, troca de experiências, cultura, lazer e competições gastronômicas e esportivas. Este ano o festival vai acontecer de 21 a 24 de julho.

Futuro - Durval Libânio explica que a missão do curso de pós-graduação em Gestão de Negócios em Cacau e Chocolate é passar por toda a cadeia do cacau, tanto a parte de processo e tecnologia do chocolate, quanto a parte do cacau, de beneficiamento, processamento das amêndoas e do chocolate, bem como a parte de gestão e empreendedorismo. Este é o segundo curso de pós-graduação nessa área existente no Brasil. A primeira turma é composta por cacauicultores, produtores de chocolate, profissionais da área de nutrição, entre outros.

 

Para Durval Libânio, presidente do Instituto Cabruca, “a pós-graduação Negócios em Cacau e Chocolate tem como objetivo formar pessoas capazes de empreender nesta cadeia de valor, que representa 12 bilhões de reais por ano no Brasil, único país no mundo que agrega toda a cadeia do cacau, da produção ao consumo de chocolate. E este fato traz vantagens competitivas em relação a outros países, fazendo com que o Brasil venha a se tornar referência mundial em produtos a base de cacau.”


Lucas Kruschewsky

Crédito: JBO/Maurício Maron

 
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