Ana Virgínia Santiago
O meu maio de luz - Para a minha mãe que não vive mais aqui
Ana Virgínia Santiago

Crédito: Divulgação

Maio chega com sua mensagem de candura e amplidão de sentimentos. Vem protegido  por  uma Mãe e dedicado às mulheres-mães, às mulheres  que teem o sentimento  de doação tão grandioso que se tornaram e se tornam mães pelo amor incondicional.

Maio sempre teve em mim o efeito de luz  e provocou emaranhado de emoções durante a minha existência porque me ensinou a festejar a minha vida e, tempos depois, ser festejada também como mãe.

O tempo foi  passando, enriquecendo a minha essência , ensinando-me os prazeres e as dores da sobrevivência e, cada vez mais ,maio direcionando-me para a reverência de ter recebido o dom da vida.

Fortalecida pela consciência das etapas vitais que todo ciclo chega ao fim, um dia tive a surpresa de aprender com a minha fé ( e ser testada) que, quem me abriu o caminho e me deu boas vindas para a minha chegada,  iniciou a sua viagem de retorno à origem de todos nós, justamente em maio, o meu maio de luz!

Perdi para a eternidade ( ou a devolvi, com gratidão?) uma Mulher, exemplo de tantos exemplos e a chamava  e ainda a chamo  de Mãe.

Chegadas três décadas eis-me diante do mês que me encanta  sem a presença viva  de minha mãe diante de mim! Eu, mãe,  sentindo uma saudade imensa  e aplaudindo a minha Mãe que não está mais aqui.

 

Maio,  meu maio de luz!

Como se vive sem uma parte da gente?

Como se explica a trajetória da dor, da saudade latente, palpitante, angustiada de uma presença que, diante de nossos olhos agora é ausência e, ao mesmo tempo, se sente a pacificação dentro da alma e bebe a felicidade de tantos anos de convivência?

Como se explica, meu Deus?

Ah! Pelo amor.

Pelo reconhecimento.

Pela gratidão.

Pela sapiência adquirida da fé.

 

Maio,  meu maio de luz!

Preciso conversar com a Faxineira de ilusões, a minha Varredora de sonhos não concretizáveis e  que me ensina o  poder das quimeras bem projetadas e, assim, realizadas,

porque, sonhos, sim, podem ser reais...

Preciso de ar, anseio pelo ar anímico que ela preparou, pois varre dores, aspira desencontros, pule afeições e junta nos monturos os amores que nunca valeram a pena.                             

Com cicatrizes  na alma ( marcas da vida!) e felicidade no coração preciso dela para amparar a minha tristeza provisória e  pedir suas mãos para passear pelo mundo das fadas , duendes, gnomos e anjos, onde a alquimia dos seres mágicos nos oferecem chão...

Preciso dela para passear pelas estrelas - como sempre ela faz -  e pegar carona no alazão suntuoso que lhe pertence e voar e cantar e dançar nas nuvens  projetando na razão as idéias paridas da e na emoção e alimentar-me de paz .

Preciso dessa essência para seguir caminhos, desbravar atalhos, descansar em paradas permitidas e fortalecer a alma que sente angústia ao ver inconsequentes gestos humanos que deveriam seguir a trajetória natural da vida.

Preciso dela – minhas muletas emocionais-  para acalentar a esperança pois nutrimos os mesmos gostos, as mesmas aspirações, os mesmo desejos.

Preciso sobreviver, maio, o meu maio de luz!

Preciso acalantar a minha alma que sente dor, Maio, meu maio de luz!

Preciso do distorcido relógio de Dali para fazer o meu tempo, preparar o meu  coração para novas batalhas, novos desafios e sentir-me poderosa no que devo construir no tempo escolhido por mim e meu coração.

Preciso desse tempo para assumir a saudade que pirraça e grita a sua força.

Preciso arrancá-la de mim porque outros quereres gritam por liberdade e aplaudem lembranças bonitas.

 

Maio,  meu maio de luz!

 

Preciso pedir licença ao mestre Bandeira ,reler “ pousa a mão na minha testa” e ,no espaço  que a Faxineira me leva, gritar para a minha própria vida que “ não te doas do meu silêncio: estou cansado de todas as palavras...”

 

Maio,  meu maio de luz!

A autora Ana Virgínia Santiago é jornalista, escritora e poeta no sul da Bahia.


Ana Virgínia Santiago

Crédito: Divulgação

 
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