Quem nunca jogou Batalha Naval?
Ari Chastinet
Foi pensando assim que os produtores de Battleship desenvolveram um dos filmes com melhores efeitos especiais do ano. Porém esse é só um dos poucos pontos positivos do filme: os seus efeitos especiais. O filme naufraga no que diz respeito a um roteiro mais inteligente e o excesso de piadas fora de hora. Está repleto de diálogos mal trabalhados e dos piores clichês do cinema. Incluindo o do mocinho irresponsável salvar o mundo.
O filme conta a história de um grupo de fuzileiros navais que encontram em seu caminho novas formas de vida alienígena. Após uma fracassada tentativa da NASA em manter contato com um planeta recém-descoberto e com as mesmas características da terra, o mundo se depara com a chegada de alienígenas fortemente armados e que pretendem tomar o nosso planeta. Quer roteiro mais fraco que esse?
Já vimos tudo isso em Skyline, Independence Day, A Hora da Escuridão e tantos outros. A pergunta é: porque gastar tanto dinheiro para fazer um filme com tudo que já vimos antes? A diferença é que Hasbro e Universal decidiram unir as suas forças e fazer um filme baseado no velho jogo Batalha Naval. Aparentemente a simplicidade do jogo foi traduzida para as telas. E o que tinha tudo para ser um novo Independence Day, com melhores efeitos e marcando uma época, se torna na verdade só mais um filme de ET que lota as prateleiras das locadoras.
Particularmente gosto muito de filme de ação que se misturam com a ficção científica e acredito que, assim como eu, muita gente saiba admirar esse tipo de filme. Mas esse aí abusa com suas explosões que não levam a lugar algum. Passamos boa parte do filme esperando a real aventura inteligente ou a grande sacada do roteiro que vai fazer o valor do nosso ingresso valer a pena, mas ela nunca chega.
No elenco, nomes como Taylor Kitsch, Liam Neeson, Alexander Skarsgård, e fazendo uma ponta, a cantora Rihanna. Típicos atores de filmes para o público jovem. Muitas caras bonitas, mas que não acrescentam muito com seus personagens. Inclusive Liam Neeson. Aparentemente a classificação 10 anos de Battleship se confunde com o seu público alvo. O filme foi feito para essa faixa etária e não para pessoas a partir dela.
Dirigido por Peter Berg, mesmo diretor de Hancock e Bem-vindo a Selva, O filme criou em mim uma grande expectativa nos seus inúmeros trailers. O resultando final? Muito abaixo do que eu esperava ou o que um filme precisa ter para impressionar quem gosta de cinema. Em 130 minutos o filme chama mais atenção para a estética de videogame que vem dominando o cinema convencional, do que para um material de qualidade que poderia se tornar.
O autor é jornalista.