Ana Virgínia Santiago
Deixem Thayná em paz!
Ana Virgínia Santiago

Crédito: Divulgação

Passam-se os dias, as intermináveis horas, os rotineiros e angustiantes momentos de insônia e desespero da mãe, avó, irmão, tios e amigos da menina linda que se foi de forma trágica e desumana.

Passam-se os dias e envolvo o meu coração materno, de tia por afinidade no parentesco de quem viu a menina linda nascer, de quem conviveu com ela e de cidadã assustada com o que está acontecendo, porque a família está sofrendo.

Sou mãe e (como inúmeras mães não só daqui de Ilhéus que conversam comigo) transfiro sem  ter a verdadeira e grandiosa dimensão do que está acontecendo na vida e na alma da mãe de Thayná, porque só ela sabe o que está passando. É tudo dela! A ausência da filha e a solidão de mãe.

Perder um filho é dor dilacerante.

Perder um filho da forma que se foi Thayná é pior ainda, porque perder todos os dias a menina linda, sem a verdade, é desumano !

Seu quarto está vazio, não se ouve mais sua voz, sua alegria pela vida, seu dançar...Ela não está mais aqui entre nós.

 

Deixem Thayná em paz!

 

Como não sofrer ouvindo, por áudio e vídeo, as conversas diárias entre ela e a mãe, muitas conversas que atravessavam o oceano e que mantinham o elo afetivo e amoroso?

 

Deixem Thayná seguir seus jovens passos no novo estágio espiritual. Ela precisa seguir... em PAZ!

 

Meu Deus, não permita que  atormentem mais a menina linda com tanta maldade!

Que cessem os comentários de alguns donos da verdade em reuniões de estudo (???) de profissionais que deveriam, sim, avaliar o comportamento dos jovens e não vomitarem impropérios sobre alguém que não conheciam, em conversas (de alguns) em espaços que deveriam discutir a educação e abrigam pessoas que falam com tanta prioridade ( a fétida cultura de corredor!)como se convivessem com a menina linda!

O que aconteceu com Thayná? Por que pais não estimulam seus filhos ao exercício da dignidade, à formação de cidadãos na vida dizendo a verdade?

Foi uma fatalidade?

Então por que tanto subterfúgio, tantos falsos álibis, tanta crueldade tentando apagar o desaparecimento de Thayná em comentários desumanos sobre ela e alguém de sua família?

O que aconteceu com Thayná?

Queremos apenas e tudo: a verdade . É o que clamamos. A verdade.

Por que o silêncio da coerência, do sentimento solidário e do exemplo de dignidade?

Por que só o barulho da maldade, meu Deus?

Passam-se os dias e a saudade não adormeceu. Será que pais dormem tranquilos respaldados nos bens materiais que possuem  sem o despertar do que estão ensinando aos seus filhos?

Foi uma fatalidade?

Então, por que tantas mentiras?

Foi uma fatalidade, sim.

Então, por que tantas ausências de tudo?

Então por que a farsa do “desconhecimento” no hospital, a menina linda que estava com eles há minutos em total alegria e comemoração pela vida? Ela foi  levada ao segundo hospital por um profissional. Por que desconhecida, então? Por que não falar a verdade?

Por que tantas mentiras?

Pessoas envolvidas “do outro lado” também estão sendo depreciadas ou reconhecidas na ausência de caráter e precisam da verdade.

Existe danos morais além do maior que é a morte de Thayná...

O que está sendo feito?

Por que não arrancar as máscaras, mostrar as verdadeiras faces dando exemplos , não só para todos os jovens, mas para a sociedade que chora a morte da menina que muitos não conheciam e que sensibilizou tantos?

 

Deixem Thayná em paz!

 

Desinfetem suas mentes, amordacem suas palavras insanas e desrespeitosas, olhem para todos os  lados, para quem com vocês convivem. Não aplaudam o indigno.

Falem, sim, da morte da menina linda alertando para tantas meninas lindas, sobre o poder maldito e da  influência maléfica dos lobos fantasiados de cordeiros-amigos.

Falem à tantas meninas lindas da necessidade de ouvirem os conselhos, os sinais de alerta, as cobranças pela vida delas.

Falem, sim, às tantas meninas lindas, que nem todos são amigos verdadeiros e que na inocência da juventude tudo acreditam, tudo aplaudem.

 

Deixem , por favor, Thayná em PAZ! Ela precisa descansar.

A autora Ana Virgínia Santiago é jornalista, poeta e cronista no sul da Bahia


Ana Virgínia Santiago

Crédito: Divulgação

 
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