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Os Reis D’Óbidos
Júlia Virgínia

Crédito: Divulgação

Em um dia frio do mês de novembro de 2016 tive a oportunidade de conhecer a cidade portuguesa de Óbidos. Cidade pequena rodeada pelas muralhas que pertencem ao Castelo d’Óbidos, é charmosa, com ruas pequenas e casas bem conservadas. Por ali encontramos suvenires medievais, porcelana tipicamente portuguesa, e história que remonta ao Século XII.

O Castelo d’Óbidos, que fica dentro da cidade, na verdade hoje é também um hotel, foi orgulhosamente eleito pelos portugueses uma das 7 maravilhas do país, e por essa razão é desnecessário detalhar o quanto o lugar é turístico e inesquecível.

Com essa lembrança ainda fresca, me surpreendi ao ver uma série de reportagens recentemente produzida por uma emissora do Sul da Bahia tratando da participação do chocolate baiano dentro do Festival Internacional de Chocolate d’Óbidos. Camila Oliveira, impecável, abriu mais uma vez a janela para revisarmos a nossa história de cacau, ou melhor, a nossa nova história de cacau.

A primeira vez em 2012, durante o Salon du Chocolat, evento que reuniu autoridades e apreciadores do mundo inteiro, em Salvador, alguns de nossos produtores abrilhantaram o evento criando pontes e mostrando aos chocolatiers mais renomados onde podem encontrar amêndoas de excelente qualidade e em crescente produção.

O Salon du Chocolat, sem dúvidas foi uma grande janela, mas o Festival do Chocolate de Ilhéus foi/é um agente transformador importante no fortalecimento de uma cultura de valorização do nosso amado fruto. O evento nos faz lembrar anualmente como é injusto reconhecer que os belgas sejam grandes produtores de chocolate sem cultivar um pé de cacau, enquanto nós com toda nossa competência e tradição não ousamos dar alguns passos.

Os festivais são espaços para discutir e pensar as nossas possibilidades enquanto produtores de amêndoa e chocolate. Já ultrapassamos o ponto de pensar apenas na produção de amêndoa, é preciso pensar na produção de amêndoa também como parte de uma cadeia. É troca de conhecimento, é investimento a longo e curto prazo.

Em cada oportunidade que um de nossos produtores de chocolate ou amêndoa exibe e divulga a sua produção ele leva consigo a história, luta e ascensão de todos produtores de sua região. 

Certos que um dia seremos os Reis d’Óbidos e na esperança que Camila Oliveira nos traga boas notícias do Salon du Chocolat em Paris, continuamos apreciando e divulgando o que temos de melhor por aqui!

A autora Júlia Virgínia é formada em Rádio e TV e tem mestrado em Cinema


Júlia Virgínia

Crédito: Divulgação

 
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