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Talvez o Guilherme Arantes...
Júlia Virgínia

Crédito: Divulgação

Em 2008 depois de conhecer uma tailandesa passei a pensar especialmente sobre o Dia da Água. Na Tailândia entre os dias 13 e 15 de abril os nativos dão início as comemorações para a chegada do novo ano, o Songkran. O evento segue o calendário lunar do local e faz parte de um período equivalente as nossas festas de final de ano aqui no Ocidente. Entusiasmados, usamos nossas melhores roupas, encontramos a família e amigos, preparamos a casa e os pratos mais deliciosos.

A água para os tailandeses significa purificação, ela limpa as pessoas e deixa para trás sentimentos ruins permitindo que coisas novas aconteçam. Neste período, quando um tailandês encontra outro, alegremente atira-lhe um pouco de água abençoando-o. Nesse contexto, ser molhado é ser presenteado com votos sinceros de prosperidade, amor e paz.   

Essa história me fez pensar na nossa relação com a água, ou melhor, na minha relação com ela. Quem já morou em cidade pequena por onde passa um rio importante, talvez neste dia, diferente de mim, sinta algum orgulho do rio que conheceu.

O meu é o Rio de Contas, que na verdade não tem culpa da minha mágoa. Talvez ele também esteja ferido e decepcionado com todas as propostas de revitalização que não foram feitas.

Recentemente foi até cortejado, quando o recordista olímpico contou para o mundo de onde ele veio e onde treinou. E acreditem, se virem a qualidade da água, vão ter certeza que aquele rapaz é um herói.       

O meu rio daria um belo cartão postal, mas agora está muito sujo. Já foi a principal fonte de renda de muitos pescadores e lavadeiras. E hoje sua água quando passa pela nossa cidade está imprópria para consumo e quem dirá para abençoar um tailandês no Songkran.

As pessoas ainda o atravessam de canoa até a outra cidade, que também depende dele. Em épocas de fortes chuvas diziam até para ter cuidado com as enchentes que invadiam as casas, e a vida das pessoas. Hoje ele não invade nem o pensamento, nem o coração das pessoas que poderiam fazer algo significativo. Se o Guilherme Arantes visitar Ubaitaba, talvez se decepcione um pouco com nossa água.

A autora Júlia Virgínia é formada em Rádio e TV e tem mestrado em Cinema 


Júlia Virgínia

Crédito: Divulgação

 
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