Ana Virgínia Santiago
Meus longes e as gavetas
Ana Virgínia Santiago

Crédito: Divulgação

Venho de tão longe...

Dos longes que minha vida conseguiu alcançar para  encontrar respostas

Revivi , reconheci tantos, escondi meus olhares de outros, permaneci plena em meus encantos  pela vida e por minha crença, senti o momento de voltar.

 

Venho de tão longe... dos longes que impus à minha vida para (re)abastecer o coração

Percorri os passos que me levaram ao reflexivo ponto de (re)energização para rever pessoas, reencontrar  minhas gentes, rebuscar ilusões que adormeceram de tanto esperar.

 

Venho de tão longe...

Precisei  ficar encantada e chamar meu cavalo alado  e buscar Centaurus, faxinar minh’alma de tantos percalços, criar elos, fazer tranças, cravar pinos de aço em torno do meu ser e assim , voltar.

Foi necessário voar, voar, voar e adquirir a força de Taurus , ver do alto a minha aldeia, buscar elementos vitais ao meu renascer  e entender os porquês  de receber nos braços os momentos que passei e estão voltando.

Voltei para a minha aldeia ,necessito iniciar a minha faxina ...

 

Como é que eu, a Faxineira , que tem alternativas várias para deixar limpos espaços inundados de sujeiras morais, aspirar palavras que fazem mal, aspergir gestos que denigrem, reluzir o que estava sem brilho, pode enfraquecer diante de suas gavetas vitais que precisam, novamente ser limpas?

Como pude atingir meus longes e temer os meus pertos se é vital mexer em gavetas, escancarar portas, abrir janelas?

 

Voltei para minha aldeia.

Passeei por suas praças, visitei pessoas, disfarcei olhares ( para não sofrer) , impus silêncio para as  palavras que queriam ser vomitadas, desencantei por afins que me magoam.

Vim de tão longe, dos distantes que forcei minhas passadas pisarem para ,no âmago da esperança , encontrar a plenitude que me falta.

 

Preciso reencontrar em minha essência a Varredora de Sonhos que os colhe para ampliar a sua dimensão.

Sonhos são vitais  para a minha realidade. Paradoxalmente preciso dos contrários para unificar o meu pensamento.

Por isso fui para tão longe e tive a companhia do cavalo alado, com suas ancas reluzentes que me levavam a tantos  longes para poder gritar a liberdade do pensamento dando as mãos aos sonhos e acender todas a luzes do firmamento que quis, como se estivesse brincando de iluminadora oficial das árvores de natal, sorrir com os Cruzeiros e tantas luminárias, espantar as Águias, acariciar as Ursas, afagar as estrelas maduras e instigar os Touros.

 

Voltei para minha aldeia.

Mas por que temo encarar as minhas gavetas emocionais ,se segurei a cauda dos furacões, acalmei os tufões que vivem no Pacífico, montei o dorso dos vendavais?

Visitei os longes e tem o meu perto...

 

Como  se encantada por Capricórnio inicio a minha jornada.

Eu, Faxineira de Ilusões, abro a primeira gaveta que precisa ser arrumada...

Amasso papéis, antes tão úteis,  toco em pequeninos presentes , vou faxinando o que ainda me serve.

Os papéis desprezados servirão de novas utilidades, como fazer nascimentos com” papier -machê”.

Todas as migalhas inúteis são misturadas e levadas ao lixo.

 

Venho de tão longe...

A segunda abre para meu coração feridas que pensei cicatrizadas...

Olho fotografias, sorrio com muitas, afago outras, relembro saudades. Espano a poeira da alegria em tantas, tantas e sorrio como a Menina  que tem riso doce e olhos encantados para algumas que um dia foi  sinônimo de bem querer ao meu coração.

Pedaços de vida, tiras de momentos bons,  fiapos de atitudes feias, rasgos de ilusão.

Os cacos  que guardei numa gaveta para um possível mosaico vital serão aproveitados.

Na arrumação encontrei a solidez de respostas para o  que me angustiava. O que ficou guardado me serão respaldo para novas passadas, para despedidas, para renascimentos.

Afinal no passeio que fiz para os longes não consegui inaugurar o Zodíaco e colher punhados e punhados de estrelas maduras e semeei constelações?

Não fiz de sonhos novas formas de acreditar e  realizar?

 

Vim de tão longe...

A autora Ana Virgínia Santiago é jornalista, poeta e cronista no sul da Bahia


Ana Virgínia Santiago

Crédito: Divulgação

 
Mais Notícias
   11/6/2017 - Um canto que é pranto meu!
   6/6/2017 - Devaneios da Faxineira de Ilusões e o Menino que se foi
   27/5/2017 - Monólogo da Faxineira de Ilusões II
   20/5/2017 - A Faxineira de Ilusões e a chuva
   15/5/2017 - Fragmentos, a fuga do sono e os livros
   7/5/2017 - Faxineira de Ilusões - A Mulher e a solidão em um dia de reflexão
   13/2/2016 - Deixem Thayná em paz!
   2/11/2015 - A volta e o Anjo
   17/4/2015 - Conversando com uma menina - Para Bárbara
   13/3/2015 - Tempo
   28/2/2015 - Fragmentos de Esperança
   21/2/2015 - Fragmentos, a fuga do sono e os livros
   14/2/2015 - A visita da esperança
   5/2/2015 - Reencontros com a Faxineira de Ilusões II
   31/1/2015 - Reencontros da Faxineira de Ilusões
   23/1/2015 - A chuva e as lembranças de uma mulher
   15/1/2015 - A Faxineira de Ilusões e a música do menino
   11/1/2015 - A manhã de sol e a morte da borboleta
   5/1/2015 - A incredulidade da Faxineira de Ilusões
   25/5/2014 - E ela voltou



© Jornal Bahia Online | Todos os direitos reservados.   Layout