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Leonardo Pinheiro
Estamos a caminho dos 20 anos de criação do Sistema Único de Saúde, e há muito que se questionar acerca do papel deixado a desejar sobre os alicerces primordiais do SUS. Em sua Lei 8.080/1990 no Artigo 2º reza que: “A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício”. Sendo um direito não cumprido identifica que estamos sendo lesados naquilo que é básico a condição humana.
O Brasil ultimamente goza da idéia de que estamos vivendo mais, somos uma população “velha” ou ao menos, que estamos “envelhecendo”. A que custas isso está acontecendo? Como isso está acontecendo?
Passeio pela minha cidade às 5 da manhã e percebo no hospital público e nos postos de saúde que temos, um verdadeiro contingente significativo de pessoas que madrugarão nessas filas em busca de atendimento, esbarrados no grande monstro chamado ficha.
Para quem não sabe, ficha é um papel frio, incompreensível, indiferente ao sentimento humano que se limita a ser entregue como um brinde à apenas alguns primeiros aleatoriamente sorteados para conseguirem uma consulta, ou exame naquele estabelecimento de saúde.
O SUS que queremos e que está regulamentado na Lei já citada, indica que o trabalho em saúde começa na prevenção, saúde não está na ausência de doenças, mas, no não adoecer. Nisso perpassam as políticas públicas visando atender outras demandas sociais como garantia a boa moradia, saneamento básico, assistência familiar, assistência ao menor, em fim, criar as condições necessárias para que as pessoas venham a adoecer.
E se vierem a adoecer ou necessitar de alguma assistência, sua regulamentação também institui a responsabilidade da federação, do estado ou do município a criarem ações no sentido de recuperação da saúde.
Portanto, questiono o SUS que queremos, o que é percebido e noticiado nos meios de comunicação, e como o Brasil bravamente está atingindo patamares de vivência prologanda, visto a tantas negligências e descasos. Mas, sigo acreditando que estamos caminhando para melhor, o que não pode, é a população acreditar que políticas públicas, direitos constitucionais são favores, e com isso se contentar com o mínimo.
O autor é graduado em Filosofia (Uesc), pós-graduado em Gestão e Recursos Humanos (FTC) e em Educação e Relações Étnico-raciais (Uesc) e graduando em Enfermagem (Uesc).
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